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Sem Técnica
07/08/2005
(...) Última parte do discurso do Zé Gui para o irmão Paulo
Passados alguns anos como voador o Paulo chegou um dia e disse – “quero deixar de voar, o que é que achas?” Logo surgiu uma frase memorável – “há momentos na vida em que é preciso deixar de voar para se começar a voar”. E assim foi, o mano velho deixou de socializar o seu capital com as hospedeiras, deixou de comer do bom e do melhor pelas capitais dos desenvolvidos e voltou aos activos terrenos dos subdesenvolvidos. Acontece porém, que os novos voos não começaram logo de seguida. Houve uma fase de gestação, qual Idade Média, onde se foram arquitectando as fundações para o surgimento do Renascimento.
Não interessa muito falarmos da Idade Média, pelo simples facto que o capital tende a virar-se para dentro e a sua socialização se dar na esfera privada, através de casamentos, filhos e recasamentos. Aliás o País todo estava na Idade Média, entrara-se nas trevas do anti-climax, era uma espécie de banho-maria onde cada um e cada uma se reinventavam tanto quanto podia. Enfim, o Paulo lá sobreviveu a mais um teste com que a vida o presenteou.
Com o Renascimento veio uma nova fase na vida do Paulo. Não, não ficou pintor nem escultor, qual Miguel Ângelo, Naguib ou Botticelli, nada disso, o mano começou a trabalhar em empresas privadas. É então que o capital social do Paulo se globaliza, vai à Alemanha falar de entrepeneurship, passa na América a aprender o business, tira vistos de um ano com múltiplas entradas na África do Sul e senta-se junto com o CTA nas conferências anuais do sector privado. Mais tarde juntou-se ao primo, arranjou machamba a crédito e começou a explorar a terra ou, como diria Marx, a fazer a acumulação primitiva do capital. Mas continuou igual a si mesmo, não se esqueceu de nós e até nos convidou para esta festa, aproveitemos porque desta vez não há só toranjas amargas mas também as doces laranjas do Umbelúzi.
Pois bem, e estava eu na Suécia a preparar a minha próxima aula, quando soube pelo telefone que o meu irmão queria que eu fizesse um discurso na festa do seu 50º aniversário. Depois de ter alcançado a primeira grande conclusão acima referida, acabei por alcançar uma segunda grande conclusão, o capital social do meu irmão só foi possível de acumular devido à capacidade que tem de encontrar novas oportunidades, no fundo como dizia o poeta “a vida é a Arte dos Encontros, embora haja tantos desencontros na vida”.
Parabéns Paulo, os primeiros cinquenta anos foram cheios de novos encontros, que os segundos mantenham o ritmo, e
Não deixe o Samba morrer
Não deixe o Samba parar
Que o morro é feito de Samba
De Samba para a gente Sambar
22:55
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(...) Continuação do discurso do Zé Gui ao seu irmão Paulo
Sem dúvida que o clube de futebol “Águias Negras”, que até teve fotografia a cores no jornal, é uma parte desse capital social. Águias porque já o nosso pai e avô eram do Benfica e negras porque, claro somos Negrão e vivemos em África. Há dúvidas sobre isso? Era o bacalhoeiro, o maklize, o magala matreco, o galinha, enfim todos esses Eusébios que goleavam pelos campos da Malhangalene, das Lagoas e da Maxaquene. Já não me lembro qual era a posição no campo do meu irmão mas recordo-me que ele era o estratega! Até tinha um contraplacado com um campo desenhado onde se simulavam as grandes jogadas e se discutiam as desgostosas derrotas. E que festas que fazíamos. Houve uma vez que roubamos galinhas nas capoeiras da vizinhança, andamos a pedir dinheiro pela rua para comprar Coca-Cola em nome do clube de futebol, demos uns trocados ao cozinheiro da vizinha (hoje chama-se corrupção) e fizemos uma almoçarada de arromba.
E havia a Igreja claro, não a católica que a família nunca foi lá muito virada para esses lados, mas a Baptista, a dos escravos norte-americanos de que os democratas, ainda antes do Kerry e da Teresa de Inhambane, se apropriaram. Muito embora os ateus não concordem, a Igreja faz também parte desse capital social, quanto mais não seja porque entre um Aleluia e um Amem, durante os piqueniques e os congressos da juventude, lá aparecia mais uma namorada. E haverá melhor maneira do que essa para se socializar o nosso capital humano? Porque vos ris? Incrédulos, “se fez o bem dai-lhe conta do bem, se fez o mal ... ide-vos e não comeis o verde pasto que S. Paulo vos preparou (1ª Epístola do Apóstolo Paulo aos Maputenses, Capítulo 8, Versículo 15). Louvado seja o Senhor!
Como ia dizendo, e estava eu na Suécia, com um frio de rachar, quando fui avisado que o Paulo queria que eu fizesse um discurso na festa dos seus cinquenta anos. Fiz um esforço para me lembrar do que aconteceu nesse período para poder continuar a explicar a essência do seu capital social. Ah! Chegou o período áureo, áureo não porque houvesse muito ouro, antes pelo contrário, a preocupação de então era a “redução da riqueza e a igualização da pobreza”. Estávamos em Revolução junto com Independência, ou vice-versa, na Independência com Revolução com que tantos amigos de infância não se identificaram e acabaram por se ir embora. Deve ser a isso que Solow chamou de depreciação de capital. Mas o Paulo estava numa outra, estávamos! Era a altura de socializarmos o nosso capital.
Era um autêntico capital social-lista. Eram listas para tudo, lista das dez famílias, lista dos chefes das dez famílias, lista dos camaradas dos chefes das dez famílias, lista dos “voluntários” para a “vigilância” nocturna no bairro da COOP e lista dos “obrigados” ao trabalho “voluntário” de limpeza do bairro no Domingo de manhã. As listas mais complicadas de fazer eram as das festas, a cerveja era pouca e os cartões de abastecimento não davam para muito, mas lá se conseguia juntar uns tantos e com uma galinha fazia-se uma festa para, pelo menos, vinte pessoas. Foi bela a revolução, acreditávamos que podíamos acreditar para hoje não acreditarmos que podemos acreditar!
Talvez cansado com tudo isto (que as revoluções cansam, o que é que pensam?) um Paulo ainda jovem e sem barriga decidiu pôr-se a voar. Mais um processo complexo, lá deu na cabeça de um camarada chefe que para voar era preciso fazer o treino político-militar e lá foi o Paulo para Montepuez fazer “shote- curia”, conhecer a “valeta” da kalashnikov, comer shima com a mão e aprender que “a Europa envegosa concebeu mau talento ao explorar África inteira e escravizá-la”.
22:48
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Recebi este e.mail de pessoa queredíssima. Se eu já fazia do Zé Gui uma grande figura moçambicana, depois de ouvir e sentir estas palavras de introdução ao seu discurso quando dos festejos do aniversário do seu irmão, palavras estas vindas da ........, só posso mesmo acreditar que o Zé Gui foi grande. As suas palavras neste discurso ao irmão mostram um pouco o quanto.
Zé Paulo
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Olá Zé Paulo ,
Há umas semanas deitaram-se as cinzas do Zé-Gui ao mar . Foi um moçambicano brilhante , professor na UEM , profundamente ligado ao seu povo , sobretudo aos mais desfavorecidos . Foi o grande promotor da lei das terras . Em Março de 2004 estavamos todos juntos a festejar o aniversário do seu irmão Pa-Gui e ele o Zé-Gui que jà não está conosco fez o discurso que anexo .
Ainda dói muito pensando na sua perda . Podem utilizar o texto se quizerem
um abraço B e R
Ao Paulo no 28 de Março de 2004
Estava eu na Suécia quando pelo telefone fui avisado que o Paulo queira que eu fizesse um discurso na festa do seu 50º aniversário.
No meio dos papeis para a preparação da aula seguinte entre Solow e Marx, entre a depreciação do capital e o capital social, comecei a pensar se o capital que o meu irmão foi acumulando ao longo dos cinquenta primeiros anos da sua vida se estava depreciar ou a socializar, uma vez que a aumentar não parecia ser o caso. Pelo menos não se via nenhum sinal morfológico a não ser a barriga, que até os pobres se podem dar ao luxo de deixar crescer.
Portanto, se a preponderância estomacal não derivava da riqueza, pois até os nossos deputados a têm e falam com tanto conhecimento de causa sobre a pobreza, como dizia, se barriga não é sinónimo de crescimento económico, então o Paulo em cinquenta anos não enriqueceu. Ficam só duas hipóteses: (i) o seu capital ter depreciado, necessitando urgentemente de mais poupança e investimento, não fazendo sentido esta almoçarada que está à nossa frente; ou (ii) o seu capital de meio século se ter socializado, sendo perfeitamente justificável que nos banqueteemos à custa dos lucros que estão para vir da sua machamba de citrinos.
Mas como dizia, estava eu na Suécia a preparar as minhas aulas, com a neve a bater “leve, levemente como quem chama por mim” e pus-me nesta lucubrações que só se justificam pela congelação da massa cinzenta a que os países nórdicos nos obrigam. E assim continuei, mais valia ser um idiota congelado com o capital socializado do que esperar por chegar a Moçambique e tornar a ser um cidadão dissolvido com o capital privatizado. Enfim já tinha uma primeira conclusão digna de ser mencionada perante tão lauda confraria dos amigos da festa do meio século – o capital que o meu irmão foi acumulando ao longo dos cinquenta anos da sua vida foi um imenso capital social que se multiplica por estas redes de amigos, de colegas, de irmãos na fé, de sócios e quando dá para isso da família (essa insubstituível instituição que em África tende para ser alargada e justifica o nepotismo).
Ficara porém a dúvida – o que é que se socializa em cinquenta anos? Qual é a essência do capital social que um vai construindo? E ainda por cima os últimos cinquenta anos de um País como este que de social já teve socialismo com lojas especiais para os dirigentes, colonialismo com o Fundo Social da Fundação Salazar mesmo ao pé da nossa casa lá na Malhangalene e o neo-capitalismo dos nossos dias com o Instituto Nacional de Segurança Social que investe em bancos e não paga pensões. É isso, qual o capital social que o Paulo construiu nos cinquenta anos da sua vida?
Continua(...)
22:31
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06/08/2005
Quanto mais rápido o impeachment do Lula mais rápido se come a pizza... (Última Parte)
E o foco devia ser outro, que não esse que está aí, obscuro para muita gente. A corrupção devia ser o foco, independente a que partidos estiver ela vinculada, independente se ela nem mesmo tiver partidos a que se vincular.
A cultura de corrupção no Brasil é secular. Vem mesmo dos primórdios tempos das “descobertas”, quando os europeus começaram aqui a pisar esta terra que para se aproximar dos índios ofereciam presentes ocidentais. Lembrar que essa aproximação não tinha como objetivo uma amizade sem resultados econômicos, por isso podemos classificar que esses presentes eram sim uma forma de corromper os líderes das nações indígenas que se iam encontrando na frente. Hoje, atos de corrupção do dia a dia do brasileiro são vistos como atitudes normais, as pessoas nem se apercebem corruptoras ou corruptas. Se alguém é pego por um polícia em excesso de velocidade no seu carro, oferecer uma gorjeta para se pagar uma cervejinha ao policial para este liberar a multa, é algo normal. E de duas, três: ou o polícia aceita e é classificado pelo o infrator como um policial camarada. Ou o polícia não aceita e lhe passa a multa e é classificado pelo infrator como um chato, exibicionista! E o mais giro é que o polícia nem o ameaça de prisão por tentativa de suborno, só se faz de surdo! Ou seja, não deixa de cometer outro crime, por passividade, e ainda é chamado de exibicionista.
Defende-se que quem tem dinheiro faz muito bem em mandar o mesmo para fora do país, de forma ilegal, para os famosos paraísos fiscais, sem se comprovar remessas e depois sem comprovar o internamento desse dinheiro quando aqui precisa-lo gastar. E esta mesma gente está por aqui a gritar que os partidos estão todos errados porque andam a fazer caixa dois nas suas campanhas!!! Os partidos estão errados, claro que estão. Ou, algumas pessoas a eles ligados estão errados e devem pagar por isso. Mas que a população honesta deste grande Brasil não caia nesta, que não acredite que a mosca, que o alvo dos problemas esteja no “simples” impeachment do Lula. Deixem as CPI´s evoluir.
O impeachment hoje, é pizza já!
19:15
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Quanto mais rápido o impeachment do Lula mais rápido se come a pizza... (Parte 1)
Que o esquema de distribuição de dinheiro entre componentes do Partido dos Trabalhadores e de outros da coligação do governo é evidente, não há o que esconder. O que ainda não está o bastante claro é o motivo dessa distribuição e a fonte do mesmo. O Sr. Marcos Valério, o homem das empresas mineiras – de Minas Gerais - de propaganda funcionava como o grande operador. O Delúbio, tesoureiro do PT, assumiu as responsabilidades por parte do que eles chamam de empréstimos “não contabilizados, o que sempre se chamou de “caixa 2”. Sabemos que não é o único responsável. Também ainda não está explicado como é que se empresta volume de dinheiro tão alto sem grandes garantias reais e nem mesmo está claro a origem desse dinheiro. Tudo isso é fato. O quanto desse dinheiro não vira das empresas estatais? O tempo dirá!
É fato também que o Presidente do PSDB, partido do último governo brasileiro, também já assumiu que as sua candidatura ao governo de Minas Gerais em 2002 está manchada com o mesmo tipo de empréstimo, mas afirma ele que não tinha esta informação.
Também nesta briga de CPI´s, já surgiram Notas Fiscais emitidas por duas empresas que prestaram serviços de propaganda para a campanha do então candidato do PSDB, o Sr. Serra, onde os valores destas Notas Fiscais estão mais altos do que os valores declarados e contabilizados pelo PSDB do Serra e do ex-presidente Fernando Henrique. Isso mostra que poderá ter havido “caixa 2” também nesta campanha, embora digam os defensores do PSDB que os serviços podem não ter sido prestados de uma forma completa...e as Notas Fiscais seriam faturadas no seu total? Alguma coisa errada existe!
Bem, o que eu quero transmitir com estes exemplos é que tem uma quadrilha, ou várias, na política brasileira, no PT do Lula Presidente da República, no PL do José Alencar Vice-Presidente da República e Ministro da Defesa, no PP do Severino Presidente da Câmara, (os dois últimos os sucessores diretos se o Lula cair) no PTB do já assumido corrupto Roberto Jeferson, no PSDB hoje o maior partido de oposição. A teia está grande, e começa-se a ficar com as mãos um tanto amarradas sem se saber exactamente o que fazer para desatar o nó formado.
Agora, a forma mais rápida de tudo virar pizza, e tudo ficar por isso mesmo é acertar na mosca. E a mosca vai ser o impeachment do Lula. O Lula caindo vão dizer ao povo brasileiro que o que tinha que ser feito, foi feito. Que se tirou do reino o traidor. E pobres de nós, cidadãos brasileiros que iremos que ter que conviver por mais algumas décadas com esta teia de corruptos e corruptores.
Isto está com um cheiro de golpe! Golpe de estrategistas de marca maior. Mesmo que o Lula tiver culpa no cartório, não é esse o foco principal destes. O foco é outro, o foco é outro...
19:11
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25/07/2005
Maputo- 2004
O saudosismo como enredo!
Moçambique sempre foi um território bonito pelos dons que a própria Natureza lhe deu. Foi sempre Moçambique uma terra atraente para os turistas, principalmente para os dos países vizinhos.
Depois de alguns anos da Independência deste país, os filhos do antigo país colonizador, alguns, inclusive, filhos da então Província de Moçambique, ou porque lá nasceram ou porque lá moraram alguns anos e por aquela terra se apaixonaram, passaram a ser uma parcela dos visitantes deste jovem País. Grande parte desta parcela, são os famosos “saudosistas”, que logo se diferenciam daqueles que simplesmente sentem saudades. São aqueles que para ele tudo antes era melhor, não importando as variáveis envolvidas e muito menos o que de facto existe hoje de melhor e de pior.
Normalmente chegam a Moçambique por Maputo, pensando que estão chegando a Lourenço Marques. Vão à Beira, pensando que ainda estão em 1975! Esquecem que eles próprios já não são os mesmos, que estão mais barrigudos e com brancas na cabeça. Esquecem que se houve erros nos 30 anos no pós-independência, estes não apagam o erro conceitual de séculos de colonialismo, principalmente quando percebemos que estes foram esticados até próximo do final do Séc. XX.
É um relatório de comparações sem fim. “Como era bonita e como está suja a Beira.” Pelo menos podiam dizer que a Beira está mais suja, porque suja sempre foi. “Como era lindo o Grande Hotel e como está destruído”, como se fosse esse um sinal do fim dos tempos de um jovem país. “Como LM era e como está!” “Como existe fome hoje em dia em Moçambique!” Um relatório sem teses, sem base, sem mesmo passarem superficialmente pelo o que Moçambique passou e porque passou.
Mas depois até mandam umas fotografias para os amigos, para comprovar o roteiro da saudade e que eles sim, estiveram lá de volta e podem falar. E nessas fotos aparecem um bons e grandes camarões grelhados acompanhados de umas 2M ou Laurentinas bem geladas. Às vezes, ainda descobrem um antigo empregado e pedem para alguém “tirar” uma fotografia ao lado do mesmo para depois colocarem uma legenda; Eu e o meu mainato, que me disse: Menino, que saudade daquele tempo!!!
Mas hoje, todos estes turistas “saudosistas” sempre foram a favor da independência de Moçambique, mas nunca da forma que foi. Claro, todos queriam a independência de Moçambique, calculada milemetricamente e usam o Mandela e a África do Sul como o grande exemplo para Moçambique. E quando a culpa do fim do Império não é do preto, como disse o Carlos Gil na sua crônica, são de todos aqueles que participaram do acordo de Lusaka. Eu já tenho a tendência de culpar a falta de evolução do colonialismo; Se o colonialismo tivesse evoluído - ou diluído - com os tempos, se a evolução e o desenvolvimento que dizem que por lá havia fosse igual para todos e não reacionário, talvez tivéssemos muitos de nós naquele País Independente. A culpa não foi da forma precipitada que deram a independência às colônias. A culpa foi pela forma lerda e que só com a guerra conseguiu-se obter a Independência de Moçambique.
Herói e bom povo moçambicano, quantos Mandelas não tem no meio de voces?
22:20
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20/07/2005
?!
Tentaram-me convencer que fulana estava meio grávida. Não sei em que metade acreditar!!!
20:22
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17/07/2005
ZIMBABWE
A Ermelinda, no seu Fazendo Caminho, disse:
"Isto não é poesia."
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Existe ali um assassíno a governar um País. Chamá-lo de louco é criar uma forma de o defender de actos insanos.
Clique sobre a palavra "Isto" e vá até ao site da TSF Rádio e ouça um pouco do que se passa no Zimbabwe pela voz de Fernando Alves.
Depois, para relaxar, vá até ao blogue da Ermelinda, Fazendo Caminho, e passeie pela poesia que por lá ela nos presenteia. Lá voce também encontra o link para o "Fazendo Caminho 1".
Mas não vamos nos esquecer do que está acontecendo no Zimbabwe!
14:02
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15/07/2005

Têm complexos aqueles indivíduos de cor que:
Não tiveram a sorte de conviver com um branco da grandeza moral de um Gouvêa Lemos que fazia um mulato ser mulato, um preto ser preto, todos sentindo-se completamente homens ao lado de homens;
Em termos de teologia serem filhos do mesmo Deus, em termos de moral serem todos bons e em termos de ciência serem pessoas normais.
José Craveirinha
*Gouvêa Lemos ou Gouveia Lemos foi jornalista luso-moçambicano nas décadas de 50, 60 e início de 70. As suas crônicas eram quase que poemas mas também escreveu-os alguns, mas não aceitava que o classificassem como poeta. Não achava que tivesse tal competência.
Infelizmente estas palavras não foram datadas pelo grande Poeta José Craveirinha, mas estimo que tenham sido escritas logo após a partida do meu Pai para o Brasil em 1972 ou mesmo após o falecimento do mesmo ainda no início deste mesmo ano, já no Brasil.
Foi por tanto quando Moçambique ainda era colônia portuguesa, onde o racismo era patente na sociedade hipócrita que cega pelo fascismo colonialista acreditava, e ainda hoje alguns acreditam, que os portugueses são os que mais sabiam e sabem lidar com os negros, como com que para se lidar com os negros precise haver alguma técnica especial. Felizmente Gouveia Lemos não era único na sociedade moçambicana a ter o comportamento retratado pelo Poeta, mas também, infelizmente, não representava a mediana da estrutura estatal e nem mesmo da sociedade capitaneada pela ditadura fascista da metrópole de então.
23:03
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14/07/2005
Bula-bulela me lembra muita conversa, tipo cachoeira!
Chega à blogosfera sem muita festa mas para mim também com muita expectativa, um novo espaço. Vem com o nome de Bula-bulela e é trabalhado a quatro mãos pela Shangana e Aramis_Azul.
Um espaço que começa com o post "Estado de Espírito" transcrevendo a letra da Adriana Calcanhoto, "Tons", já mostra um pouco do perfil da dupla responsável pelo novo blogue.
Estou junto e repito aqui a transcrição da letra da música em questão, para de alguma forma entrar no bula-bula com Shangana e Aramis.
Tons
(Adriana Calcanhoto)
Roxos
Todos
Pretos
Partes
Andrades
Azuis
Azares
Amarras
Amar
Elos
Amargores
Calipsos
Cortesias
Cortes
Cores e rancores
Luzes
Milagres
Lilases
Rosas Guimarães...
Mulatos
Dourados
Rubores
Castigos
Castanhos
Castores
Havanas
Avanços e brancos
Cobranças
Cinzentos
Cimentos
Crianças nas sarjetas
Nojentas
Imagens
Violeta
Magentas
Laranjas
Matizes
Cremes
Crimes
Cobaltos
Assaltos
Turquesas
Pérolas aos hipócritas
Ocres
Terras
Telhas
Gelos
Gemas
20:07
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13/07/2005
"Ganda frase!" Assim definiu uma "ganda" Amiga a frase abaixo;
«Não é em 30 anos que se desmonta o pide, o padre e o bufo que Salazar imprimiu no nosso código genético. Ainda faltarão outros tantos anos para que Abril se cumpra.»
Herman José, in Correio da Manhã
21:40
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11/07/2005
A Nau chegou, trazendo uma Mala no Porão!
O aviso chegou como título "A Nau está de partida"! De coisas boas e de pessoas boas não gosto de ambientes de partidas e ainda bem que este título é tão somente coisa figurativa. Na verdade não é uma partida; é sim uma chegada, a chegada de uma Mala de Porão ao mundo da blogosfera.
Pelo começo, pela apresentação, pela qualidade dos temas abordados, é espaço com técnica, não é um que veio para simples desabafos. É algo com muita qualidade que vai marcar o mundo dos blogues. Já tive a oportunidade de dizer e aqui repito: Obrigado Magude, por teres vindo!
21:53
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10/07/2005

RACISMO É CRIME!...
ALÉM DE IRRACIONAL!
Dizem que o português nunca foi na sua essência racista. É esta a tese que estaria para dar base à mistura das raças como aconteceu no Brasil, entre brancos e negros, brancos e índios.
Mas como e quando começou essa mistura das raças? Quantas mulheres brancas existiam na época da colonização das terras além mar para cada homem branco? Estaria aí um dos motivos de se ter começado o que se diz termos hoje no Brasil o exemplo da mistura dos sangues? Teria acontecido o mesmo em outras ex-colônias portuguesas? Embora a minha experiência em Moçambique não me tenha demonstrado em uma “estatística visual” uma mistura nas mesmas proporções que víamos no Brasil já na década de 70 e na atual.
Dizem ainda que o português era mais de explorar do que ser um racista de facto. Não sei exactamente do que se pretende defender quando se veste a capa de um explorador, mas isso fica para quem tem mesmo rabo preso, seja por que motivo for.
Mas me lembro, miúdo, em conviver no meio rural, por ter vivido em farmes – fazendas - de uns tios, e perceber como eram tratados os trabalhadores em muitas das farmes na região do Chimoio. Não, não creio que quando um farmeiro batia em um empregado não era porque este era somente um empregado. Era porque este era um empregado “preto”.
E recebo notícias do Moçambique actual que ainda assistimos o racismo do branco para com o negro. Que alguns que estão lá investindo em Moçambique, - e ainda dizem muitas vezes para quem não lá voltou, que eles sim, podem falar porque estão lá, porque assumiram as dificuldades do Moçambique atual – mas para vagas de alguns cargos das suas empresas têm a capacidade de colocar anúncios no jornal que dão “preferências” para pessoas brancas!!! Se isto acontece em um país independente, em África, imagine-se quando ele ainda era uma Província Ultramarina de Portugal, que recebia muito português que nunca tinha visto antes um negro, que muitas vezes saía de Portugal como um trabalhador rural e chegava a Moçambique onde tinha “debaixo” de si um monte de gente que nunca o tinha visto, que não eram seus empregados mas já o tratavam de patrão. Muitos souberam lidar de forma sã com esta nova situação, muitos não.
Portugal actual, como parte da Europa, passa por sintomas gravíssimos de racismo. Uns dizem que são questões de xenofobia, que não são exactamente questões de racismo. Eu sou uma pessoa que tenho a preocupação de separar os problemas para podermos actuar com as acções corretas. É bom mesmo identificar o que é xenofobia e o que é racismo. Só com o cuidado que os sintomas da xenofobia não abafem os do racismo. De qualquer forma os dois sintomas precisam de medicação forte.
P.S.: Antes que alguém me questione e que diga que eu não vejo o racismo às avessas, também chegarei lá, embora proporcionalmente os exemplos são muitos inferiores. É que muitas vezes as pessoas, principalmente os racistas, mas não só, confundem a reação dos que sofrem com o racismo como sendo atitudes racistas. Mas isso ficará para outros textos, como também falarei do racismo no Brasil.
20:42
Comentários()
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Autor
Eu ou ele? A partir de dia 01/01/2006 um deles... |
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| DESCRIÇÃO |
Questões colocadas, situações questionadas... Temas em geral, sem técnica, aqui "desenrolados".
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